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Análise de mercado

Clarity Act trava em 31% e SpaceX perde 1 trilhão: semana do BCE

Redação MarketHoje9 min

Clarity Act trava em 31% no Senado dos EUA, SpaceX apaga mais de 1 trilhão de dólares em queda histórica e a semana reúne decisão do BCE, IPC do Reino Unido, PMIs e balanços de Google e Tesla.

Clarity Act patina no Senado dos EUA

A chamada Clarity Act, grande lei cripto em discussão no Congresso dos Estados Unidos, viu suas chances de aprovação em 2026 despencarem para cerca de 31%. Mesmo após reunião do presidente Donald Trump com diversos senadores na tentativa de destravar o texto, não houve registro de foto, anúncio ou acordo após o encontro. Os apoios no Senado seguem faltando e o calendário legislativo começa a jogar contra a votação ainda este ano.

DeFi tem 85% da liquidez concentrada ociosa

Estudo da Dune encomendado pela 1inch mostra que cerca de 85% da liquidez concentrada em protocolos de finanças descentralizadas está sendo subutilizada. O mecanismo é direto: quem deposita capital em um pool espera receber comissões, mas se o preço se afasta do range configurado, o capital permanece parado sem gerar rendimento. Mais de um terço dessas posições está inativa há mais de 90 dias. O levantamento estima que deixem de ser pagos cerca de USD 150 milhões por ano em comissões, dos quais aproximadamente USD 116 milhões correspondem à Uniswap. Redistribuir toda essa liquidez, porém, também diluiria as comissões entre um número maior de participantes.

Inflação da zona euro fecha junho em 2,8% ao ano

A inflação da zona euro terminou junho em 2,8% na comparação interanual, exatamente em linha com o esperado. Na variação mensal, os preços caíram 0,1%, enquanto a inflação de núcleo se manteve em 2,4%. O dado confirma uma moderação moderada, mas a leitura continua acima da meta de 2% do Banco Central Europeu. Do lado do petróleo, a commodity voltou a pressionar, com risco de nova alta.

Sentimento nos EUA salta para 54,4 e discurso da Fed endurece

Nos Estados Unidos, o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan para julho subiu com força e alcançou 54,4 pontos, contra expectativa de 51. Tanto a percepção da situação corrente quanto as expectativas econômicas melhoraram. O consumidor segue preocupado, mas já não está mais completamente retraído. As expectativas de inflação para um ano recuaram para 4,2%, enquanto as de longo prazo ficaram estáveis em 3,3%, combinação considerada positiva por melhorar a confiança sem reacender a pressão sobre os preços.

Ao mesmo tempo, uma integrante votante da Fed neste ano, presidente da distrital de Cleveland, reforçou em declarações recentes que a inflação permanece alta demais e disseminada. Para ela, o pleno emprego permite que o Comitê direcione todos os esforços ao combate de preços, sem descartar novas altas de juros.

SpaceX apaga mais de 1 trilhão de dólares desde o pico

A SpaceX fechou a sexta-feira com queda de quase 6%, aprofundando uma correção histórica iniciada logo após sua listagem. No acumulado desde as máximas, a companhia já apagou mais de 1 trilhão de dólares em valor de mercado. A empresa tenta realizar ainda nesta semana o próximo voo de teste da Starship e estaria negociando com o Pentágono o fornecimento de capacidade de computação voltada a projetos de inteligência artificial, contrato que poderia sustentar a tese de um negócio tecnológico mais amplo por trás dos foguetes.

Ações em direções opostas: Rocket Lab, SK Hynix, Apple e Meta

A Rocket Lab subiu cerca de 0,40% na semana, mas o gráfico semanal aproxima o papel de uma zona de controle próxima de 6065, justamente a última estrutura do impulso que levou às máximas em torno de 160. A companhia pode se beneficiar da expansão do programa de lançamentos espaciais dos EUA para segurança nacional, embora o aumento de orçamento não signifique repasse direto ao fornecedor.

A SK Hynix subiu quase 1% na sexta-feira, mas voltou a cotar abaixo do preço de estreia após apenas quatro dias de listagem, pressionada por vendas em semicondutores mesmo com a demanda por memórias avançadas para IA seguindo como motor de crescimento.

A Apple subiu leve 0,14% na sexta-feira e voltou a se tornar a empresa mais valiosa do mundo em capitalização, superando marginalmente a Nvidia segundo o fechamento compilado pela Reuters. A companhia reajustou preços de Apple Music, de planos do Apple One e até do iPhone no Japão, reforçando a receita de serviços.

A Meta foi na contramão e recuou 2,80% na sexta-feira, após a divulgação de que estaria em conversas iniciais para alugar parte de sua capacidade de computação à Anthropic. Caso avance, o acordo permitiria à Meta monetizar o investimento pesado em data centers e competir diretamente no segmento de infraestrutura para IA. No gráfico semanal, o papel segue encaixotado entre 550 e 700 dólares, com ataques recorrentes às duas bordas.

Calendário macro: BCE na quinta e IPC do Reino Unido na quarta

A semana começa leve, com feriado no Japão pela data marítima e menor liquidez na Ásia. Na terça-feira o movimento também é limitado. A partir de quarta-feira o calendário esquenta, com a divulgação do IPC do Reino Unido. Na quinta-feira, dia forte, o Banco Central Europeu anuncia decisão de juros, com mercado esperando manutenção dos níveis atuais; a coletiva da presidente do BCE fica sob escrutínio, especialmente qualquer comentário sobre petróleo e inflação. No mesmo dia saem os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA. A sexta-feira concentra os PMIs de manufatura e serviços de países europeus, da zona euro e dos EUA.

Temporada de resultados coloca Google e Tesla no centro

A temporada de balanços entra na fase pesada com Google, Tesla, Intel, IBM, 3M, ServiceNow e Deckers entre as companhias que apresentam números nesta semana. O foco, porém, está em Google e Tesla: qualquer comentário sobre IA, publicidade, margens ou robotáxi pode gerar forte reação nos preços.

Wall Street fecha no vermelho com semicondutores pressionados

Wall Street encerrou a sexta-feira com novas perdas, pressionada principalmente por mais uma rodada de vendas em semicondutores. O S&P 500 recuou 1%, o Nasdaq caiu 1,40% e o Russell cedeu cerca de 0,40%. O índice de volatilidade subiu 12,2%, para 18,7 pontos. Nvidia, Broadcom, AMD e Intel fecharam no vermelho, e o mercado passou a questionar se as grandes gigantes de tecnologia conseguirão manter indefinidamente o ritmo de investimento em data centers e chips para IA. Modelos chineses como o Kimi K3 reacenderam o debate de que talvez não seja necessário gastar quantias absurdas para obter bons resultados, abrindo o que pode ser uma guerra de preço de tokens de IA.

O contexto ajuda a explicar a pressão: grandes ciclos de inovação costumam produzir vencedores claros, mas também companhias que pareciam imbatíveis e acabaram desaparecendo. Com o custo da dívida em alta, empresas que precisam investir continuamente em chips, energia e data centers tendem a operar sob pressão financeira maior. Nesses ciclos, diversificação setorial e gestão de risco costumam pesar mais do que tentar acertar uma única tese.

Há ainda um sinal contraintuitivo: historicamente, quando o mercado cai com força costuma estar em zona de máximas acompanhado de notícias boas, e não más. Hoje o quadro é o oposto, com mercados próximos das máximas recebendo más notícias, cenário que mantém aberta a probabilidade de novas máximas históricas mesmo sob pressão.

Os futuros americanos amanheceram praticamente planos no S&P 500, no Nasdaq e no Russell 2000, enquanto o EuroStoxx recuava 0% e a China subia mais de 2%, com o Japão fechado por feriado. Os Treasuries de 10 anos seguem em zona estressada, acima de 4,50%.

Netflix recua 7% e testa zona de confluência em 68-70 dólares

A Netflix caiu mais de 7% após antecipar nova desaceleração no crescimento de receitas, mesmo tendo cumprido as projeções de resultado. No gráfico diário, o papel se aproxima de suporte importante na média móvel de 200 e em uma zona de confluência entre 68 e 70 dólares, que já foi resistência em 2021 e região de apoio e impulso forte em 2024.

Bitcoin segura os 65.000 e mira suporte em 60.000 dólares

Em criptomoedas, o Bitcoin recuou das máximas acima de 65.000 dólares e se mantém em zona pressionada, à espera de definição antes de montar um possível padrão que confirme queda para a região de 60.000 dólares, cenário que segue sendo o mais provável.

O Ethereum já preencheu o gap criado no início de junho na região de 1.900 dólares, e qualquer movimento com momentum e mudança estrutural pode antecipar nova queda para buscar a liquidez deixada mais abaixo.

Nas altcoins, HYPE segue brigando para segurar o suporte na zona de 60 dólares. XRP se aproxima lentamente de 1 dólar. Bitcoin Cash rejeitou a resistência em torno de 250 dólares. Solana continua se decompondo e se aproximando da região de 70 dólares.

Câmbio, ouro e prata: DXY em 100, ouro mira 3.900

No mercado de câmbio, o DXY está em zona de decisão. O suporte de 100 pontos, se confirmado, abre espaço para o próximo objetivo na região de 104, o que castigaria o euro e o empurraria para o suporte entre 1,11 e 1,10.

A expectativa é de continuidade da fraqueza do ouro e da prata até que a Fed mostre sua direção, o que levaria o ouro a buscar a região de 3.900 dólares e a prata o patamar abaixo de 5.450 dólares.

Petróleo pressiona com tensão entre EUA, Israel e Irã

No petróleo, a administração Trump teria comunicado a Israel o envio de dezenas de aviões-tanque adicionais antes de uma possível ampliação das operações militares contra o Irã. O mercado teme nova escalada que afete ainda mais o suprimento de energia do Oriente Médio, mantendo o preço da commodity pressionado.

O que acompanhar nesta semana

Quarta-feira: divulgação do IPC do Reino Unido. Quinta-feira: decisão de juros do BCE, com coletiva da presidente da instituição, e pedidos de auxílio-desemprego nos EUA. Sexta-feira: PMIs de manufatura e serviços da zona euro, Reino Unido e EUA, além dos resultados do Google. Em paralelo, acompanhar o petróleo diante do tensionamento no Oriente Médio, a evolução do DXY na região de 100, o comportamento do Bitcoin no suporte de 60.000 dólares e a liquidez das altcoins.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento ou aconselhamento financeiro. Criptomoedas são ativos de alta volatilidade e podem provocar perdas financeiras significativas.