O Pentágono estimou em 37,5 bilhões de dólares o custo da guerra no Oriente Médio para os Estados Unidos. O barril Brent se aproxima de 95 dólares e a inflação americana salta de 2,4% para 4,2% desde o início do conflito, com o Federal Reserve já sinalizando virada no discurso de juros.
Pentágono estima custo de 37,5 bilhões de dólares para os EUA
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o custo da guerra no Oriente Médio para os cofres americanos alcança 37,5 bilhões de dólares. O número foi apresentado durante o programa CNN Novo Dia e ganha peso extra diante da nova escalada militar, com mais uma noite de ataques registrada.
Barril Brent se aproxima dos 95 dólares
A ofensiva mais recente no Oriente Médio se reflete diretamente nas cotações internacionais do petróleo. O barril tipo WTI registra alta de 3,31% e é cotado na casa dos 87 dólares, enquanto o Brent acumula alta de 13,5% e se aproxima dos 95 dólares. As duas referências vêm oscilando desde o início da semana, reagindo a cada novo capítulo do conflito.
Para a analista, o petróleo funciona como o termômetro mais sensível da crise. "O mercado financeiro olha bastante para o impacto do petróleo na economia", explicou durante o programa. A commodity entra na composição de preços de toda a cadeia produtiva, o que pressiona diretamente a inflação em todos os países importadores.
Inflação americana salta de 2,4% para 4,2% e Fed vira o discurso
Antes da guerra, a inflação dos Estados Unidos rodava em torno de 2,4%. Com o choque do petróleo e a manutenção das hostilidades, o índice saltou para 4,2%, obrigando o Federal Reserve a rever a comunicação. O cenário que vinha sendo vendido como novo ciclo de queda de juros passou a ser tratado como a possibilidade de um novo ciclo de alta.
A pressão não ficou restrita aos Estados Unidos. Europa, Japão e o próprio Brasil também viram elevação das taxas de juros, principalmente de longo prazo, na esteira da alta da commodity. Quando o custo do dinheiro sobe, o efeito se espalha para as empresas, para a bolsa e para o mercado financeiro como um todo, configurando um custo mundial do conflito.
Pressão adicional sobre o COPOM
No Brasil, a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) ocorre sob incerteza redobrada. O Banco Central vinha se apoiando na queda anterior do petróleo para dar sequência ao ciclo de corte da taxa básica que já estava em curso e contava com a animação do mercado. Com a nova alta do Brent, o argumento enfraquece e a narrativa de inflação pressionada volta ao centro.
Segundo a analista, o COPOM tende a "pecar pelo excesso" quando o tema é inflação, sobretudo porque o custo social do aumento de preços recai sobre os mais pobres. Na avaliação feita durante o programa, a próxima decisão deveria ser de pausa no ciclo de corte, com o Banco Central aguardando para medir o impacto do petróleo sobre os preços com calma, em movimento de 0,25 ponto percentual, sem pressa.
O que acompanhar
- A próxima reunião do COPOM e o comunicado oficial sobre o ciclo de cortes
- Os próximos dados de inflação nos Estados Unidos e a sinalização do Federal Reserve
- A trajetória do barril Brent, com atenção ao patamar dos 95 dólares
- A evolução da ofensiva militar no Oriente Médio
- Os desdobramentos da guerra de tarifas, apontada como próximo tema de impacto sobre os mercados
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